
Carlos Plácido Teixeira
Jornalista I Futurista
No meio dos anos 2020, o mundo é um trem chegando em uma estação depois de uma viagem repleta de momentos de suspense. Uma história recheada por crises econômicas a pandemias e terremotos causados por novas tecnologias e crises sociais e sanitárias. Um estudante que tenha entrado na universidade no inicio da década será testemunha de acontecimentos que poucos universitários das gerações anteriores terão vivido. Em certa medida, o jovem terá iniciado um curso no formato analógico e sairá, na estação da formatura, em um ambiente digital.
Imagine um recém-formado, João, representante da geração digital, nascido no início do século. Quando iniciou sua formação universitária em 2021, o mundo estava ainda tentando superar os traumas deixados pela pandemia da Covid-19. No caso, utilizamos a hipótese de que uma vacina foi desenvolvida e o surto controlado. Além das centenas de milhares de mortes, a crise sanitária deixou um legado de medo quanto ao futuro. Com a possibilidade de repetição de novos surtos. Na economia, o desemprego ficou como marca. Além de incertezas sobre a capacidade de recuperação da economia, algo que persiste durante os anos seguintes.
- Aceleração da adoção de tecnologias
- Retração econômica
- Desemprego / queda da renda
- Quebra de empresas
- Insatisfação com sistema político
O balanço dos eventos revela que, a partir de janeiro de 2020, ocorreu um teste de fogo da velocidade 4G. O laboratório do ambiente pandêmico mostrou a aprovação da tecnologia e dos modelos de interação de pessoas para o trabalho e para o consumo. A infraestrutura funcionou, mesmo que os usuários das redes tenham reclamado muito da qualidade das conexões. Ela seria substituída aos poucos, até 2025.
A primeira grande avaliação pública e global da internet 5G ocorreria em 2020, no Japão, nas Olimpíadas adiadas. O resultado do sucesso da experiência coletiva emergencial foi o estímulo à antecipação dos projetos baseados em uso da rede de telecomunicações. Ainda em 2020, empresas anunciaram a intenção em manter os parte de seus funcionários trabalhando a distância.
Aceleração
Em 2025, o ambiente econômico global continua sob a influência de conflitos, aprofundados a partir do momento em que a China ultrapassou os Estados Unidos como maior potência global. Ao mostrar a vulnerabilidade dos países dependentes de produtos e matérias-primas externas, a pandemia contribuiu para o aumento do protecionismo. De uma forma geral, os governos ainda estarão administrando o baixo crescimento de suas economias internas. E lidando com a insatisfação das populações por conta da ausência de respostas para as demandas mais urgentes, inclusive do combate à desigualdade e da queda da qualidade de vida.
No mercado de trabalho, ao concluir o curso, João é uma testemunha, portanto, das mudanças geradas e implantadas pela revolução digital, definida no final da década anterior como a quarta revolução industrial. A transição para o novo período do capitalismo global, marcado pela presença e domínio de novas tecnologias, representa a maior revolução desde a ocorrência da Revolução Industrial no século 18, caracterizada pelo desenvolvimento de tecnologias em áreas como genética, física, biotecnologia, nanotecnologia, robótica e automação.
Os impactos desses avanços já podem ser percebidos em diversos setores da sociedade e afetam o desenvolvimento dos mercados e dos negócios, as relações de emprego e as relações sociais. As inovações também provocam discussões sobre a ética e limites das relações em geral, como acontece com as questões das manipulações biológicas e genéticas, entre outras. O estudante, como representante da geração, será um passageiro privilegiado porque domina as ferramentas tecnológicas. Mas preocupado.
A convergência da adoção de novos modelos de negócios, da desregulamentação do sistema produtivo, da flexibilização dos mercados de trabalho e a insatisfação crescente com a incapacidade dos governos em oferecer soluções para os problemas coletivos terá, como um dos resultados, o questionamento sobre o papel do Estado, com reivindicações de retorno de investimentos em bem-estar social. Ele poderá ser, em benefício próprio, um dos defensores da renda básica universal.
Informalidade
João inicia a carreira profissional como empreendedor — trabalhador autônomo na prática –, sem expectativas de um emprego tradicional. A tecnologia assume poderes da ubiquidade, da onipresença. Ele nem vai se lembrar sobre onde ficou o seu último smartphone. As telas sensíveis ao toque passaram a ter papel secundário, quase irrelevante, com a ascensão dos comandos de voz. Os assistentes pessoais são a interface das pessoas, no cenário em que tudo pode ser tela. A inteligência artificial, com avanços em saltos, possibilitou a criação de novas ferramentas de trabalho. As funções baseadas em rotinas são realizadas por sistemas ou máquinas automatizadas.
O nível de maturidade das tecnologias terá possibilitado a expansão dos investimentos em robótica. Até por conta de questões de distanciamento, determinado pelo trauma das pandemias e epidemias, os robôs colaborativos foram incorporados às fábricas. No comércio, consumidores utilizam os sistemas automáticos que reduziram a necessidade de caixas humanos. E a gestão de estoques integrada. O comércio eletrônico, acelerado desde a pandemia de cinco anos atrás, se consolida como alternativa popular entre os consumidores. Confirmando projeções, robôs já são responsáveis por mais de 50% das atividades nas fábricas. E o seu uso se expande no ambiente doméstico, principalmente em países desenvolvidos.
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