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Por que olhar o futuro ao escolher uma profissão

O processo de escolhas de profissões deve levar em conta os impactos crescentes das tecnologias sobre as alternativas disponíveis - Foto: Pexel
O processo de escolhas de profissões deve levar em conta os impactos crescentes das tecnologias sobre as alternativas disponíveis

Carlos Teixeira
Jornalista I Radar do Futuro

Roberto e Ana passaram no exame de seleção das universidades públicas brasileiras, o Enem, em 2020, para os cursos de contabilidade e economia. Até se formarem, depois de 2025, no mínimo, eles testemunharão profundas mudanças nas profissões escolhidas. E também no cenário do mercado de trabalho, com novas relações de emprego e novos modelos de negócios e, claro, os impactos de mudanças como as que são criadas por epidemias, como a Covid-19 e a crise climática.

Será o efeito de influências tecnológicas e de questões sociais, econômicas e de mercado. Nos próximos anos, levar em conta a transição das profissões para a quarta revolução industrial é algo que todo estudante deve fazer ao escolher cursos universitários ou técnicos. 

O mercado vive um momento de metamorfose. O impacto pode ser de maior ou menor intensidade, mas tende a ocorrer de forma generalizada, afetando todas as áreas. Metamorfose  deve ser entendida como o processo de mudança de forma das relações de produção. Que muda rotinas de atividades tradicionais e cria novas.

Os conhecimentos necessários para o exercício de atividades se adaptam ao desenho de um futuro inovador. Que inclui regras de contratação e relações de trabalho diferentes dos atuais. O modelo de grandes empresas que contratavam multidões de trabalhadores está acabando. 

Como diz um médico mineiro, especialista em exceção das exceções — aquele que consegue identificar doenças raras que ninguém mais imaginou — a concorrência está chegando até ele, por lados inesperados. Os diagnósticos, que só o especialista genial fazia, podem ser feitos, agora, pela combinação de inteligência artificial e avanços biotecnológicos. A concorrência está aí, doutor.

Disrupção

No caso da contabilidade, o estudo “O Futuro do emprego: quão suscetíveis de automação serão os trabalhos”, realizado pelos pesquisadores britânicos Carl Benedikt Frey e Michael Osborne, da universidade de Oxford, mostra que contabilistas e auditores têm 94% de chance de sentir os efeitos da informatização sobre as atividades. São funções marcadas fortemente por rotinas, um dos critérios principais a definir as perspectivas futuras das profissões.

Outro exemplo de segmento profissional de status no mercado fadado a sentir os efeitos dos ventos tecnológicos, a economia tem 42,9% de chance de ser automatizada nos próximos anos, ainda de acordo com o relatório dos pesquisadores britânicos.

E nem mesmo os programadores de sistemas, os responsáveis pela informatização de tudo, escapam.O estudo avalia que a chance da atividade ser automatizada é de 48,1%. Será o efeito da inteligência cognitiva. Computadores aprendendo a se auto-programar.

Mude as estratégias

Não é uma questão de simplesmente abandonar o curso, caso você esteja cursando um dos citados acima. Em um vídeo que circula há algum tempo na internet e retorna de tempos em tempos, o locutor diz que, “se você está matriculado em um curso de direito, abandone imediatamente”.

Bobagem. Afirmação irresponsável, propagada por quem vive de terrorismo para vender soluções. Os pesquisadores de Oxford dizem que o trabalho dos advogados tem apenas 3,5% de chance de ser automatizado.

Antes de mais nada, quem está iniciando um curso ou está se preparando para processos de escolha deve levar em contas fatores que vão muito além dos tradicionais itens sugeridos, como questionamentos sobre interesses pessoais. 

É necessário ter um roteiro que avalie os impactos futuros das tecnologias. Que identifique as mudanças sociais, demográficas e econômicas que estão ocorrendo globalmente. No futuro, um médico precisará desenvolver, por exemplo, maiores habilidades de interação humana. Será uma estratégia para compensar o fato de que os diagnósticos serão cada vez mais feitos com o auxílio de sistemas informatizados. E inteligentes.

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