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Instituto une longevidade com o empreendedorismo

Iniciativa pioneira leva oportunidades para pessoas com mais de 60 anos
Iniciativa pioneira leva oportunidades para pessoas com mais de 60 anos

Carlos Plácido Teixeira
Jornalista I Observador do Futuro

A longevidade chegou. O aviso é da psicóloga e coach Heliane Gomes de Azevedo, presidente do Instituto de Pesquisas e Projetos de Empreendedorismo (IPPE). Ela criou e lidera uma iniciativa que coloca no centro das oportunidades a tendência de aumento da expectativa de vida da população. E uma visão positiva de que o envelhecimento não significa apenas riscos. Pode ser uma melhor idade, de fato.

De olho na mudança dos modelos expandidos de vida com qualidade, até setembro deste ano quase 900 pessoas com mais de 60 anos passarão por cursos gratuitos de qualificação para atividades empreendedoras. Ou seja, estarão capacitadas a iniciar um negócio próprio. A demanda confirma a existência da oportunidade, ainda desconhecida por muito especialista de marketing.

O IPPE pretende romper com as crenças consolidadas de que o destino da população com mais de 60 anos é o vazio causado pela ausência de atividades. “Não existem em outros lugares programas específicos semelhantes para esse segmento da sociedade, que deve viver cada vez mais com qualidade de vida”, assinala Heliane de Azevedo.

Realização pessoal

Ao abrir inscrições no final de dezembro do ano passado, a executiva, psicóloga e coach, deu forma a uma inquietação surgida no início da carreira profissional, em uma multinacional, quando ela foi apresentada ao preconceito em relação à idade. Já em março, o instituto contabilizava quase 400 pessoas que passaram pelo curso “Empreendedorismo na Melhor Idade”.

São duas semanas de aulas teóricas e práticas, pela manhã ou à tarde, com a soma de 80 horas. Ao obter recursos do Fundo Municipal do Idoso (Fumid), da Prefeitura de Belo Horizonte, Heliane de Azevedo viabilizou a realização dos cursos de forma gratuita, incluindo material de ensino e professores de escolas de negócios de primeira linha, como FGV e Sebrae. “Inclusive o coffee break foi viabilizado pela lei de incentivo e por empresas patrocinadoras”, atesta a executiva.

O IPPE é resultado da história de Heliane Azevedo, que hoje atua como coach depois de passar por atividades em empresas de grande porte. Nos primeiros anos da carreira, ao trabalhar na área de Recursos Humanos de uma multinacional, ela sentiu a estranheza diante da proibição explícita de contratar profissionais com mais de 40 anos. “Na época, imaginei meu pai, com a experiência que tinha, que não poderia ser contratado por aquela empresa”, recorda.

Longevidade: a reinserção possível

O mal estar deu origem, anos depois, a uma tese de mestrado sobre a reinserção do idoso em atividades produtivas. O estudo levou ao objetivo de enfrentar a incoerência da sociedade, que dispensa as competências de profissionais, cujas experiências deixam de ser valorizadas. No ano passado, ela finalmente vislumbrou a possibilidade de levar teoria e prática adiante, com a criação do Instituto.

“Eu queria deixar um legado”, assegura a presidente do IPPE. Na verdade, os quase 400 inscritos em praticamente dois meses atestam que ela acertou em cheio na identificação de uma oportunidade, que a maioria da sociedade não enxerga por se manter presa a modelos do passado, em que pessoas com mais de 60 anos são velhos. Os idosos dos anos 2010 não são os mesmos de 40 ou 50 anos atrás. Os 60 são os novos 40, em síntese. “Nessa nova geração, há uma resistência em parar. Apenas 7% dos aposentados não querem ter uma atividade produtiva”, afirma Heliane.

Segundo estudos de demografia, a população brasileira tem passado nas últimas décadas por um rápido processo de envelhecimento, devendo somar 31,8 milhões de pessoas com mais de 60 anos até 2025. Globalmente, será a sexta maior população de idosos do planeta. Além de demandar ações públicas para medir os impactos sobre os sistemas de saúde pública e previdenciário do país, e gerar programas de apoio à população, são necessárias iniciativas de reposicionamento das pessoas.

Afinal, parte considerável dessa população viverá com saúde plena, com perspectivas de alcançar os 100 com boa qualidade de vida. Além disso, outro fator a considerar é que os longevos tendem a compartilhar a responsabilidade de sustentação de famílias diante do cenário de transformações da quarta revolução industrial. A automação de atividades produtivas e administrativas tende a modificar profundamente o mercado de trabalho.  Para os jovens, filhos ou netos dos sessentões, o emprego tende a ser cada vez menos uma possibilidade. A saída será, então, pelo empreendedorismo.

Para mais informações e inscrições:

Acesse https://institutoippe.com.br/

 

 

 

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