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Eu, designer do futuro

Momento certo para se conceder um novo diploma profissional

Carlos Plácido Teixeira
Editor responsável – futurólogo

Após anos de estudos, reflexões, experiências profissionais, leituras, idas e vindas, coloco em meu cartão de visita a especialidade de designer do futuro. E no currículo profissional, claro. Por definição, um estudioso do futuro. Uma ciência, isso mesmo, que vai muito além das meras curiosidades propagadas por histórias de ficção. Entender o que vem pela frente fortalece a capacidade das pessoas, empresas e grupos sociais em aproveitar oportunidades e se preparar para adversidades.

Alguém poderá dizer, ainda com foco em paradigmas do passado, que falta um diploma. Haverá quem cobre a existência do papel formal, concedido por uma instituição do mesmo tipo, do velho tijolo das universidades tradicionais. O reconhecimento de uma faculdade de alguma coisa. O curso de futurologia. Que nem existe, por sinal. Minhas credenciais não estão em um curso específico. Muito menos genérico.

Apesar de “antigo”, sou da geração dos que passarão pela vida registrando múltiplas especialidades. Formados por conhecimentos de diferentes fontes e pela experiência em campos que se somam. Na verdade, nunca dei conta de ser o jornalista tradicional, que se submete a uma rotina de produção de letras para preenchimento de páginas em branco de jornais.

A prova de especialização em futurologia não está, por exemplo, no curso MBA de inteligência de mercado, frequentado por mim recentemente. Parecia algo mais próximo possível das minhas metas. Mas que nada, diria Jorge Ben, antes de ser Benjor. O compositor demonstrou que podemos mudar até mesmo o nome pessoal, seja por questões pessoais ou de marketing.

Os conhecimentos também não estão contabilizados em outros cursos de especialização feitos pelo caminho. Como a pomposa pós de “gestão de recursos informacionais”, levada adiante no início da década de 1990, na faculdade de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais. Na linha do tempo da minha formação, na época eu trabalhava em um departamento de inteligência de mercado. Um campo onde reforcei meu interesse por estudos de tendências.

Aliás, a faculdade deixou de ser de biblioteconomia. Hoje é de Ciência da Informação. Mudança de nome de uma instituição que soube ser antenada com o futuro. Bem ao contrário de outras formações profissionais, como o próprio jornalismo, que ainda forma profissionais com o foco em mídia impressa, como se essa tivesse futuro.

Também não foi na especialização em Comunicação Integrada, na década de 1980, onde encontrei credenciais para me formar como futurólogo. Muito menos no curso de jornalismo. Aliás, vêm da época do bacharelado as minhas descobertas, digamos, rudimentares sobre os meus interesses sobre estudos de tendências. Além de discutir política e me posicionar contra a ditadura, eu curtia discretamente conhecimentos sobre marketing. E, mais exatamente, sobre sistemas de informações de mercado. Estudos sobre a sociedade, sobre o comportamento humano, digamos de forma mais leiga.

Experiência que conta

 A minha formação informal de futurólogo inclui 30 anos de atividade profissional. Cheia de idas e vindas. Como funcionário de carteira assinada em redações de jornais, lidando com economia. Mercado financeiro, negócios e conjuntura. A cobertura do dia a dia.  

Não faltaram saltos para o empreendedorismo. A criação de dezenas de sites. Trabalhos de assessoria de imprensa, com propostas diferenciadas, buscando a realização dos tais estudos sobre mercados. A aplicação de conhecimentos e práticas sobre os tais sistemas de informações. A tentativa de aplicar conceitos de inteligência competitiva.

O registro do domínio “Instituto do Futuro”, no início dos anos 2000, marca um passo importante na minha carreira. Foi, por assim dizer, a primeira formalização do desejo de ser um futurólogo. Mais que fazer previsões, o desejo de desenvolver métodos. O rascunho de estratégias. Leituras. A especialização desenvolvida lentamente, entre um emprego aqui e outro ali, em redações de jornais ou de assessorias de comunicação.

Em 2010, com o registro do domínio e a criação do site Radar do Futuro, o passo mais definitivo. Que não foi intenso porque há, no caminho, sempre, alguma tentação em fazer o dinheiro de curto prazo. E uma dificuldade brutal de se posicionar em uma sociedade eternamente adolescente, individualista. Um país que não pensa adiante.

Agora, em 2016, em plena era da disrupção tecnológica, da quarta revolução industrial, da era digital, chegou a hora de assumir o “diploma informal” de futurólogo. Na prática, pouca coisa muda. Continuo editando o Radar do Futuro, no limite entre as duas profissões, de futurólogo e de jornalismo. Sigo no esforço de divulgar métodos de estudos, os que eu criei e os de outros, quando possível. E de realizar meus próprios estudos, minhas reflexões. Realizar oficinas de análise de tendências, identificar oportunidades e ameaças. Divulgar métodos. E contribuir para uma melhor compreensão dos rumos do mundo.

 

 

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