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O futuro do trabalho ainda azul, segundo otimistas

Para especialistas, perdas de empregos continuarão compensadas

Carlos Plácido Teixeira
Editor – Radar do Futuro

O maior impacto das novas tecnologias não será sentido na destruição de postos de trabalho, mas na transformação da estrutura dos empregos e das formas de contratação de pessoal. Portanto, as inovações não eliminarão empregos em massa, mas promoverão um arranjo da forma como eles são distribuídos dentro das empresas. E o sistema produtivo terá de se adaptar, buscando novas estratégias de formalização do relacionamento entre as organizações e seus trabalhadores, que devem aprimorar conhecimentos.

Essa é a avaliação predominante entre analistas com posições otimistas sobre o impacto das tecnologias, retratada em inúmeros estudos divulgados. A preocupação em entender os rumos do mercado é crescente diante da consolidação da tecnologia como a força propulsora das novas tendências. Para especialistas enquadrados no grupo que enxerga mais oportunidades do que ameaças, expectativas pessimistas apenas repetem o mesmo receio apresentado pelos seres humanos em outros momentos da história da civilização.

Na memória há sempre as referências aos luditas da Revolução Industrial, que destruíram máquinas com o objetivo de impedir a desde a entrada das máquinas a vapor, do motor elétrico, do telefone e do computador nas indústrias. Para o grupo dos otimistas, o senso comum ainda vê nas máquinas um perigo para o emprego.  

Explorando contradições de uma sociedade que contabiliza aumentos exponenciais da concentração de poder econômico e de renda, o sistema produtivo se associa ao discurso de defensores da qualidade de vida para antecipar impactos sobre as atividades de rotina e repetitivas, assim como as perigosas e insalubres. Há um reconhecimento de que o desenvolvimento de máquinas e sistemas inteligentes possibilitará a implantação de robôs e computadores, em substituição a chefes, supervisores e controladores de qualidade, com impactos que alcancarão, inclusive, a camada média da estrutura ocupacional. 

No topo das organizações haverá, pela lógica do raciocínio dos especialistas, uma expansão de atividades que demandam capacidade para resolver problemas, com o uso de intuição, persuasão e criatividade. Profissionais das camadas intermediárias da gestão e da produção tendem ao rebaixamento de suas posições. Ou perda delas. Não parece haver dúvidas e concordância de que a entrada das tecnologias vai gerar polarização dos empregos, acompanhada de polarização da renda. 

Empresas terão a faca e o queijo na mão. Robôs em indústrias, automação no comércio e nos serviços estão em volta de pescoços dos trabalhadores. 

 

 

 

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