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Distribuição de renda melhora no interior

Quem viaja pelas estradas do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Vale do Rio Doce, regiões pobres de Minas Gerais, percebe, com o olhar atento, considerável quantidade de casas com aparência renovada. Cores vivas substituem o branco sujo tradicional daquelas habitações registradas nas imagens do passado. Até a cor das telhas parecem mais fortes. "Nos últimos cinco anos, quem não construiu, pelo menos reformou", relatava, em agosto, uma empresária, moradora de Itabirinha, cidade próxima a Governador Valadares.

Estudo desenvolvido pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, confirma os sinais de redução da precariedade da vida nas propriedades rurais. O espaço da produção agropecuária passa por uma profunda mudança estrutural. Alimentada pela expansão da renda do trabalho, das transferências de renda do Estado e do nível de escolaridade, uma "nova classe média" menos desigual emergiu nos últimos seis anos na área rural do Brasil.

Do ano 2003 até 2009, 3,7 milhões de pessoas passaram a fazer parte da agora predominante classe C, cuja renda domiciliar varia de R$ 1.126 a R$ 4.854 por mês. O segmento de renda teve expansão de 72% desde 2003. Segundo matéria publicada pelo jornal Valor Econômico, o estudo "Pobreza e a Nova Classe Média no Brasil Rural", coordenado pelo pesquisador Marcelo Cortes Neri, mostra que esse estrato social somava 35,4% da população rural no ano passado - em 2003, era 20,6%.

"A redução da desigualdade foi mais forte e mais rápida na área rural, sobretudo nas regiões mais pobres", diz Neri. Em 2009, o segmento tinha 9,1 milhões dos 25,7 milhões de habitantes rurais. (...) Moradia de 15% da população brasileira, a zona rural do país viveu uma forte redução na pobreza, cujo índice global recuou de 51,5% para 31,9% dos residentes. A desigualdade, medida pelo Índice Gini, recuou 8,23% na área rural, ante 6,5% no total do país, aponta a FGV.

A renda do trabalho aumentou de R$ 154,60 para R$ 201,80 por mês e a renda média per capita passou de R$ 213 para R$ 303. "Houve um aumento real de 42% na renda média rural", diz Marcelo Neri. No Brasil, a elevação chegou a 31,8%. As classes A e B, cuja renda domiciliar está acima de R$ 4.854 por mês, também continuaram a crescer - agregaram outros 282 mil habitantes. (...) Mas o impacto maior ocorreu mesmo nas classes D e E. Somadas, ambas encolheram 20,4% em seis anos. Quando considerada apenas a classe E, com renda inferior a R$ 145 a preços médios nacionais ponderados, 5,152 milhões de pessoas cruzaram a "linha da miséria". (...) "Estamos muito mais rápidos no rural. E temos mais espaço para avançar justamente nessas áreas mais pobres", diz Neri. A classe D, por exemplo, soma 30,2% da população rural e 23,6% dos habitantes urbanos. "Temos 7,8 milhões de brasileiros do campo que podem virar classe média em breve".

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