Pular para o conteúdo principal

Mudança na legislação de telecomunicações deve atacar oligopólio, defende Fittel

Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil


Brasília - As alterações estudadas pelo governo para o Plano Geral de Outorga (PGO) devem servir para garantir a concorrência no setor, que não se concretizou com a privatização, em 1998.
A opinião é de Hamurabi Carvalho, secretário de Política Sindical e Social da Federação de Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel).

Para ele, a mudança na legislação, que passou a ser discutida para viabilizar a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi (antiga Telemar), não pode se ater apenas à negociação entre as duas empresas, mas deve criar mecanismos para combater o oligopólio, que acabou existindo no país.

“Isso [oligopólio] terminou acontecendo porque na telefonia fixa a concorrência nunca chegou a ocorrer, e mesmo na telefonia celular ela não é pra valer. Há combinações e acertos [entre as operadoras] e na prática não há muita diferença de uma empresa para outra. Concorrência pra valer nunca aconteceu no modelo que privatizou em 1998”, afirmou Carvalho.

Segundo ele, o governo tem que ter uma série de preocupações e precauções com essa mudança, para que outros aspectos, como a inovação tecnológica que trouxe a convergência, sejam contemplados pela nova legislação.

“Por exemplo, as empresas de telecomunicações não podem hoje transmitir sinais de TV, já as empresas de TV podem transmitir sinais de comunicação, dados, voz. Todo esse debate precisa ser feito e os ambientes corretos para isso são o Congresso Nacional e a Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações]”.

Para o representante sindical, a fusão das duas empresas é importante para o país, que, segundo ele, passará a ter uma empresa nacional de grande porte capaz de competir internacionalmente no setor de comunicação, além de gerar benefícios aos consumidores, como a redução nas tarifas, consideradas altíssimas.

Com a fusão, ele prevê ainda a ampliação da cobertura, especialmente da internet de banda larga, e a melhora da qualidade dos serviços. Carvalho destacou, no entanto, que isso só irá ocorrer, se o governo cumprir seu papel regulador.

O sindicalista defendeu a reestruturação da Anatel, responsável pela fiscalização do setor, para dar conta de suas funções.Ele também defendeu um debate público envolvendo o Congresso Nacional e as entidades civis, para garantir que questões fundamentais sobre a negociação sejam observadas.

“Essa empresa vai ter financiamento público, do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômicos e Social], e, portanto, o governo terá que ter mecanismos de controle para poder intervir, por exemplo, proibindo que ela seja vendida daqui a algum tempo, e também discutir questões importantes para o país, como a universalização, a defesa da tecnologia e da cultura nacionais, a capacidade da empresa ampliar os empregos no setor”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Depoimento verdade: Tenho fobia social

Sou tímido. E tenho fobia social. Mas ao contrário de Luis Fernando Veríssimo, um tímido assumido e com notoriedade, como o escritor reconhece em entrevistas e em um texto publicado em 1995, tentei durante anos vencer a timidez. O investimento no esforço de corrigir a "falha de estrutura da personalidade" reflete o impulso natural diante da sociedade que cultua o mito do homem como ser social. Iniciei terapias umas três vezes. Achando que não estava sendo ouvido e sem dar conta de dizer que estava pouco satisfeito com o processo de análise, dei o calote em todos na última mensalidade, antes de abandonar o tratamento -- não dar conta de dizer é um comportamento típico de um fóbico social. Humanos com fobia social demonstram intensa ansiedade em situações de convívio com outros seres da mesma espécie. Segundo os especialistas, os temores, capazes de se transformar em pânico e visível no suor destilado por alguns dos fóbicos sociais, geram os surtos, em diferentes intensidades...

Para astrólogo, geminiano, para a ciência, deficiente de atenção

Aos cinquenta e tantos anos, finalmente descobri que tenho déficit de atenção. Em outros tempos, jamais tive acesso ao diagnóstico, apesar de todos os sinais do problema, mesmo porque a expressão é recente, pelo menos no vocabulário da população leiga em questões da psicologia. Na verdade, cresci sob o mito das características comportamentais de um nascido sob a regência de gêmeos. Estimulado pelas leituras de livros e dos meios de comunicação tradicionais, fui sempre comparado a um representante típico do signo. Afinal, sabemos e temos muitas informações sobre características gerais do zodiáco, mas ficamos alheios às descobertas das ciências do comportamento. Os astrólogos fazem, pela via indireta, a melhor descrição de um sujeito que carrega a deficiência de atenção. Hoje, percebo alguma contribuição do zodiáco na compreensão sobre de nuances do comportamento. Os astrólogos preconizam que os geminianos, representantes do terceiro signo do zodíaco, estão associados ao desenvolvimento ...

CTBC e Telefonica lideram o ranking de reclamações da Anatel

Na telefonia celular, a CTBC fechou fevereiro na liderança das empresas com maior número de reclamações dos usuários, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Com o índice de 0,817 por mil assinantes, a empresa deixa a TIM na segunda posição, com 0,417. Na telefonia fixa,a liderança é da Telefonica, de São Paulo, com 1,171 reclamação por mil assinantes. Na segunda posição, a Embratel, com 0,993, e a Brasil Telecom, com 0,821. Segundo a Anatel, reclamações de telefonia fixa cresceram mais em comparação à telefonia móvel em janeiro deste ano. Confira Telefonia fixa supera a celular em reclamações