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A hora dos caçadores de tendências

Enquanto passeiam distraidamente pelo shopping, entre um amasso e outro, Amância e Paulo, adolescentes de 16 anos, nem imaginam que estão sendo monitorados. Não pelos pais, que estão no trabalho, despreocupados com os filhos no centro de consumo. O jeito como o par conversa, o interesse por determinadas vitrines, seus penteados, roupas e acessórios atraem a atenção de uma observadora muito especial. A mulher, Karen, publicitária, de 26 anos, sócia de uma agência, não olha apenas. Ela analisa comportamentos, avalia detalhes que conquistam os olhares e o modo de vestir dos adolescentes. Na mira da atenção está o objetivo de identificar o que não está explícito , como alguém que avalia uma fotografia com uma lupa, na busca obsessiva de detalhes que apontem sinais do futuro.

O processo que envolve os adolescentes e a publicitária, ambientados no shopping, contextualiza a “caça de tendências” ou “cool hunting”, atividade que evolui no Brasil, com o surgimento de especialistas. Associada originalmente ao mundo da moda, a atividade requer método de pesquisa e de interpretação para alcançar a antecipação de comportamentos que, no final das contas, vão gerar oportunidades de negócios, inclusive no desenvolvimento de novos produtos. Além das ações tradicionais em campo, como a visita a shoppings centers, estádios de futebol, outras áreas públicas e festas, a caça de tendências recorre, hoje, às mídias sociais como ferramenta de prospecção dos novos comportamentos portadores de mudanças futuras. Há os óbvios, como o Twitter ou Facebook.

Roberta, administradora de empresas, utiliza os recursos para monitorar hábitos de jovens, que às vezes sequer percebem que a rede de relacionamentos inclui uma pessoa com perfil mais velho que o delas. Trabalhando em casa como free lancer, Roberta tem, como foco, a avaliação das conversas, novas gírias, pessoas ou fatos comentados e novas expectativas relatadas. Ela coloca em prática os conhecimentos sobre Semiologia, ciência que estuda os sistemas de signos, como as linguagens, os códigos, as sinalizações.

“Com os sentidos bem treinados, ganhamos condições para entender além do que está dito. Nas mídias sociais, o exercício da análise revela o discurso oculto, os desejos latentes”, sintetiza. As ferramentas de busca, como o Google, Yahoo e Bing, oferecem alternativas interessantes para quem tem o perfil adequado à profissão, que mescla a curiosidade, concentração e visão crítica.

O Google, em especial, tem ferramentas desenvolvidas sob a mentalidade da identificação de tendências. Além do Google News, sistema para pesquisa por notícias, ferramentas como o Google Trends - de tendências - e Google Insights são utilizados usualmente na otimização das buscas -- SEO, no jargão da internet -- mas oferecem bons indicadores para quem tem tempo, método e paciência para a análise de informações.

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