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Jornalistas choram enquanto os concorrentes avançam

Carlos Plácido Teixeira
Jornalista

Meramente conformado com as modernidades das novas tecnologias e exposto à inevitável necessidade de conviver com computadores, teclados, mouses e processadores de textos Word, contingente considerável de jornalistas da velha guarda ainda preserva, em silêncio obsequioso, como o imposto à Teologia da Libertação, a saudade dos tempos das velhas máquinas de escrever. Sem poder protestar, suspiram ao recordar como eram bons aqueles tempos em que, ao cair da tarde, as redações explodiam e pareciam sacudir ao som de dezenas de pessoas espancando as teclas das verdes e cinzas Remingtons ou Olivettis.

O passado não retorna. Mas não há porque condenar exclusivamente os antigos profissionais de imprensa. Mesmo entre os mais novos, inclusive os estudantes que ainda se preparam para entrar no mercado, há uma incorrigível tendência de apego ao passado. Para corroborar a tese, basta verificar a angústia envolvida nas dúvidas sobre o futuro do jornais impressos. Curiosamente, são alunos que sequer sabem quanto custa um jornal em banca, seja durante a semana ou aos domingos.

E não adianta procurar a calandra. Não há, seja para jornalistas novos ou antigos, como parar as rotativas do destino. Os jornalistas deveriam se dedicar ao exercício sincero e profundo de avaliação sobre as perspectivas futuras da atividade profissional, que tem nas novas tecnologias uma oportunidade. E não ameaças. Novos mercados estão diante dos olhos. Mas é urgente identificar as melhores estratégias para ocupar espaços.

Urge, entre outras coisas, iniciar o debate entre jornalistas e demais profissionais de comunicação sobre temas como web 2.0, televisão digital, produção de informações para meios portáteis, arquitetura da informação, usabilidade e sistemas de gestão de conteúdos, entre outros. Sem iniciativa deste tipo, estaremos perdendo o passado e com um bilhete vencido para o futuro.

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